José Luís Neto

Inutilizado? apropria-se de uma imagem técnica de um pormenor dos Painéis, em negativo de vidro. O trabalho de José Luís Neto evidencia a erosão decorrente da passagem do tempo na matéria fotográfica. Do que ela revela. Aqui, no exacto contraponto à de agente de deterioração na conservação pictórica.

Nasceu em Sátão, em 1966. A sua formação dividiu-se entre Lisboa, onde fez o Plano Completo de Fotografia no Ar.Co, e Londres, desenvolvendo um projecto individual (Ideia de Luz) no Royal College of Art.

Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde o início da década de 90, participando ainda em bienais, feiras de arte e encontros de fotografia. Tem recebido vários prémios, entre os quais o Prémio BES Photo 2005 e o Prémio Especial do Júri na edição 47 do Salon D’Art Contemporain de Montrouge (2002). O seu trabalho está publicado em vários livros e catálogos e representado em várias colecções, públicas e privadas. É actualmente professor de Projecto Artístico no Curso de Fotografia e Cultura Visual do IADE – Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing.

 

Pedro Cabral Santo

Playhot (who portrayed the broken dreams of common people? alude às personagens que compõem a cena que Pedro Cabral Santo apelida de mistificadora de uma ideia de pátria que nunca existiu, a da “suposta nação lusa”. Com bonecos Playmobil e em molduras de pratos da McDonald’s, oferece em contrapartida uma reconstituição à la merchandising.

Natural de Lisboa (1968), Pedro Cabral Santo formou-se na Faculdade de Belas Artes.
Realizou o seu percurso à margem das galerias institucionalizadas e expôs a maioria dos seus trabalhos em espaços alternativos. Na década de 90 integrou, na qualidade de artista e/ou comissário algumas das principais exposições colectivas que apontavam para um novo entendimento da forma de fazer arte em Portugal e que revelaram toda uma nova geração (Alexandre Estrela, Miguel Soares, Paulo Mendes, Rui Toscano ou o próprio Pedro Cabral Santo). Das mais importantes exposições incluem-se: Tilt, CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2008); The Return of the Real – 4, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira (2008); Sem Dó, com Ré, Museu do Chiado – MNAC, Lisboa (2011).

Carmela García

A série de Carmela García tem como tema a Pintura e a questão de género. A partir de uma obra que, reza a lenda, terá sido encomendada pela Infanta D. Isabel, o conjunto sublinha a presença do feminino, em retratos de conceituadas pintoras Portuguesas sob cenários evocativos de Representação.

O trabalho de Carmela García (Canárias, 1964) fez parte de exposições individuais e colectivas em Madrid (Museo Reina Sofia, Galería Juana de Aizpuru, Canal de Isabel II), Japão (Kanazawa Museum), Paris (Maison de la Photographie), Nova Iorque (PS1 Contemporary Art Center no MOMA), Veneza (Granieri de Giudecca, 49 Bienal de Veneza), León (MUSAC), Telavive (Cheoluche Galerie), Las Palmas (CAAM), Caracas (Imberg Sofia Museum), Salamanca (pátio da Universidade) Valladolid (Museo Pátio Herreriano), Amsterdam (Van Gogh Museum), Vitoria (Artium), Bucareste (Centro Internacional de Arte Contemporânea), entre outros.

Expõe regularmente na Galeria Juana de Aizpuru em Madrid, Art Bassel, Suíça, Art Basel Miami, Freeze, Londres, Paris-Photo e Arco Madrid.

Interferências na Fotografia

POLÍPTICO

Evocação Fotográfica dos Painéis de São Vicente, por Paulo Andrade

José Luís Neto // José Maçãs de Carvalho // Pedro Cabral Santo

Carmela García (ES) //Cristina Lucas (ES) // Pierre Gonnord (FR).

O conjunto presente nesta exposição questiona a representação colectiva de uma nação e a sua possibilidade. Actual ou não, este problema é recorrente nas sucessivas avaliações e celebrações prestadas à obra em termos iconográficos mais marcante na História da Arte Portuguesa, a dos seis painéis do Retábulo de São Vicente, atribuído a Nuno Gonçalves. Facto sublinhado pelo contexto histórico da sua criação (miticamente associado à formação de uma identidade nacional) e da sua recuperação (romantizado como prefiguradora de uma escola e como símbolo cultural de uma época e de uma Nação a glorificar).

Esta reinterpretação em “versão” fotográfica e reportada à sociedade Portuguesa de hoje pretende fazer jus a algumas das ideias que a História teceu sobre esta obra-prima do século XV: o problema da autoria individual ou colectiva; a questão da sua unidade ou não enquanto políptico; a constatação da profusa presença de elementos simbólicos ou de uma mera “charada” visual; ou o desafio, mais prosaico, da identificação dos representados à época, desde os mais altos dignitários até às classes mais humildes. Daí que, em Políptico, se conserve artificialmente a ambiguidade destas premissas.

Comissariado de Nuno Figueiredo e D. André de Quiroga, com o apoio da galeria Juana de Aizpuru.

A Conspiração das Pintoras Portuguesas, Carmela García

Agradecimento especial, pela colaboração, ao MNAA – Museu Nacional de Arte Antiga, Instituto José de Figueiredo, MUDE – Museu do Design e da Moda, Fundação das Casas de Fronteira e Alorna e IADE.

A Singularidade do Múltiplo

Inês Botelho, Martinha Maia, Marta Wengorovius, Sara Yan,
Susana Gaudêncio, Carlos Farinha e João Pedro Silva
Comissária: Teresa Carneiro

3 de Janeiro – 31 de Março de 2012

 

A Singularidade do Múltiplo é um evento que decorre no âmbito do Interferências – Mostra Pública de Arte, organizado pela Associação Número Arte e Cultura em parceria com o Espaços do Desenho e desenvolvido em co-produção com o Centro Português de Serigrafia, a Galeria Corrente d’Arte e o Metropolitano de Lisboa. Durante este evento os artistas tiveram como ponto de partida a possibilidade de produzir uma série de múltiplos através dos processos de gravura e/ou serigrafia nas oficinas do Centro Português de Serigrafia e, a partir daí, explorar possibilidades de singularidade de cada múltiplo através da intervenção directa ou indirecta em cada desenho. Este trabalho está a ser desenvolvido através de duas residências artísticas a decorrer em simultâneo no Centro Português de Serigrafia e na Galeria Corrente d’ Arte. Após o período de produção de trabalhos, as séries de desenhos dos artistas estarão em exposição na Galeria Corrente d’Arte durante o mês de Fevereiro de 2012, e em Março de 2012 entrarão em circulação nas carruagens do Metropolitano de Lisboa, que para o efeito serão apropriadas como galerias para mostras individuais dos trabalhos de cada artista.
www.drawingspaces.com

 

“Para o Centro Português de Serigrafia a participação neste projecto faz todo o sentido. Há nele uma tripla sintonia com a linha instituída para o CPS: proximidade da obra de arte ao público fruidor; valorização do múltiplo de arte, reforçando a importância da sua singularidade e utilização do experiente Atelier CPS de serigrafia e gravura enquanto espaço criativo de partilha com os artistas.” João Prates, Centro Português de Serigrafia

PROGRAMA

Residência no Centro Português de Serigrafia

3 a 28 de Janeiro de 2012

Rua dos Industriais, 6, 1249-023 Lisboa (Santos), Mapa: http://g.co/maps/b33xv

Residência Aberta ao Público na Galeria Corrente d’Arte

16 a 28 de Janeiro de 2012, de segunda a sábado, das 13h às 19h

Av. D. Carlos I, 109, 1200-648 Lisboa (Santos), Mapa: http://g.co/maps/d29g9

 

Exposição na Galeria Corrente d’Arte

16 de Janeiro a 29 de Fevereiro de 2012, de segunda a sábado, das 13h às 19h

Inauguração/Apresentação dos projectos na Galeria Corrente d’Arte

quinta-feira, 9 de Fevereiro, às 18.30h

Av. D. Carlos I, 109, 1200-648 Lisboa (Santos), Mapa: http://g.co/maps/d29g9

 

Mostra de trabalhos nas carrugens do Metropolitano de Lisboa

3 – 16 de Março de 2012

 

Mostra de intervenções em ‘lugares perdidos’ nas estações do Metropolitano de Lisboa

3 – 31 de Março de 2012

 

Interferências na Pintura

A exposição de Pintura desenvolve-se durante 1 mês em mupis cedidos pela JCDecaux no jardim do CAMB – Centro de Arte Manuel de Brito, em Oeiras. Em cada mupi é reservado uma das faces ao trabalho artístico e a outra à promoção do INTERFERÊNCIAS, sinalizando a programação e eventuais patrocinadores da iniciativa.

Complementarmente, o INTERFERÊNCIAS disponibilizará diversos mupis, cedidos pela Câmara Municipal de Lisboa e Oeiras, para divulgação do evento, com reproduções dos trabalhos dos 10 artistas participantes.

Residência na Fábrica da Pólvora, em Oeiras, 15 dias antes da inauguração.

Comissariado de Fernando Pêra (Centro de Experimentação Artística do Clube Português de Artes e Ideias).

Susana Gaudêncio

Susana Gaudêncio descreve este trabalho como um ‘conjunto de impressões [que] explora os princípios de sedimentação e transporte das formas.’ A apropriação de iconografias já familiares ao seu trabalho revela desde logo uma simultânea aproximação e distanciamento dessa origem (das iconografias como ‘iconografias’ e das suas formas), que se evidencia aqui como lugar de potência na produção desta série e desenhos. As apropriações em trabalhos anteriores dos ‘originais’ dessas iconografias pela artista e a série que aqui se desenvolve são sem dúvida distintos, mas é nessa mesma distinção que se constitui uma relação de abertura fulcral num tempo e espaço alargado, para além de um antes, um agora e um depois, onde se reconfigura ‘de novo’, singularmente, cada apropriação de (pré)‘apropriações’ dessas formas que a dado momento se tornaram iconográficas. E cada vez que o acto de apropriação se repete numa nova possibilidade (que se constitui a partir da própria artista), cada repetição singular de uma (re)apropriação revela-se num movimento de aproximação e afastamento dessas ressonâncias iconográfica, que cria uma relação de abertura de um ‘espaço entre’ um espaço e um tempo ampliados a novas ressonâncias do aqui e do agora, que nesse sentido tanto se libertam como retornam às origens (pré)iconográficas.

BIOGRAFIA
Susana Gaudêncio creates intricate drawings, photo-montages and animations, made by altering found footage and imagery. This involves a cyclical transformation, from the digital source-footage, to the physical print-out, and back again. It collapses the space between otherwise disparate processes and addresses the tensions between political reality, and expressive illusion.
Susana Gaudêncio (1977) Lives and works in Lisbon and New York. Susana Gaudêncio has a College degree in painting from the Faculty of Fine Arts, University of Lisbon. She has a Master in Fine Arts from Hunter College, City University of New York, sponsored by Calouste Gulbenkian and Luso-American Foundations trough their Specialization and Professional Valorization Grant in the United States. She has had solo exhibitions at CAV (Visual Arts Centre), Coimbra, in Espaço A/C and Galeria Pedro Cera – Mnemonica de Lugares in Lisbon, participated in group exhibitions in Holland, Barcelona, New York and Liverpool. Gaudêncio was part of the exhibition Portuguese Artists – Outside at the Electricity Museum. In January 2009, she inaugurated two solo exhibitions, Blocking at Carlos Carvalho Contemporary Art Gallery in Lisbon and Houyhnhnm at the ISE Foundation in New York City. Her work will be part of ResPublica an exhibition curated by Leonor Nazaré and Helena Freitas at the Calouste Gulbenkian Foundation – Modern Art Center. Since February 2010 she is an Guest Assistant Professor at the School of Art and Design, IPL -Leiria Polytechnic Institute in Caldas da Rainha.

Sara Yan

Sara Yan apresenta um conjunto de subtis variações de traços, pontos, linhas que fluem (assumindo a àgua como metáfora dessa impermanência) e que se distinguem em pequenos movimentos que variam autonomamente, enquanto ‘expõem’ múltiplas presenças que criam um tempo e espaço para um lugar do desenho (ou do acto de desenhar) que não é mais do que aquele que expõe o ‘estar’ de cada desenho. A exposição de cada acto/tempo do desenho revela-se por um lado como possibilidade de presença singular que tem no entanto origem num tempo e espaço evocados pela necessária co-existência de pequenos movimentos (do desenho, da vida?) que a todo o momento se distinguem e aproximam.

Para outros desenhos consultar link: http://sarachangyan.blogspot.com/

Sara Yan nasceu em 1982, Lisboa, Portugal.
Após ter terminado a licenciatura em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e trabalhado em ateliês de arquitetura, entre 2006 a 2011 estudou Desenho no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação: Curso de Estética, o Curso Regular de Desenho e o Curso Avançado de Artes Plásticas.
Em 2007 trabalhou no Serviço da Cultura da Câmara Municipal da Moita, durante um ano e meio foi coordenadora e animadora do Centro de Educação pela Arte “Pé de Vento”no Vale da Amoreira. Nos três anos seguintes trabalhou como assistente de desenho no estúdio do artista Rui Moreira.
Em 2009 foi artista residente no End of February Garden em Jiuxian na China. Onde realizou residência artistica sobre Land Art – Site specific, durante 1 mês, organizada pela WOA – Way of arts, DaST – Design a Sustainable Tomorrow e Artist Level.
Em 2010 realizou exposição individual “ Enquanto passagem”, com trabalho em fotografia, na Casa do Careto, Podence, Trás‐dos‐Montes.
Participou na exposição colectiva: em 2009 “Land Art” no Jiuxian Museum e End of February Garden, em Jiuxian na China; em 2010 “Saída de Campo, Prática de Desenho 3”, Ar.Co Lisboa, “Open Studio” Ar.Co Almada; em 2011 “FID – Fôire International du Dessin – European drawings for the future”, 3º edição na Cité Internacionale des Arts em Paris, “de la terre à l’assiete” no Château de Padies em Lempaut, França.
Tem trabalho publicado: no catálogo de 2011 “FID Drawings for the future”, um desenho s/ título 2010 na pág. 72; na publicação “Culture of the 21 Century” organizado pela DaST – Design for a Sustainable Tomorrow e WOA – Way of Arts, o trabalho “Around Yellow Mountain e Mudath, pág. 72‐81: no catálogo “A Festa, ed oi layla yadura” da exposição de desenho de Pedro AH Paixão e Rui Moreira na Fundação Carmona e Costa, uma fotografia s/ título na pág 16‐17.

Martinha Maia

Martinha Maia propõe um conjunto de desenhos a que chama ‘caderno de impressões’, que talvez se possam dizer intimistas pois abrem um espaço de ‘liberdade sensível’ onde se investiga o sentir e o ouvir, de desenho para desenho, pela artista, mas também por quem os experencia enquanto observador. Em cada desenho e na multiplicidade da ‘série de impressões’, este trabalho expõe um conjunto de possíveis variações ínfimas, íntimas mas distintas que se criam a partir de um posicionamento consciente e intencional da artista, que é assumido logo de início numa co-existência com qualquer observador que na sua singularidade é convidado a experienciar cada desenho, sentindo-o e o escutando-o.

O sentir adquiriu uma dimensão anónima, impessoal, socializada que exige ser reclamada… É verdade que também nos podemos rebelar contra esta condição e reinvindicar o direito a um sentir interior, singular, subjectivo, privado, mas em relação a tais pretensões a nossa época tem sido cruel; ela reconhece os seus, acumulando-os de favores, mas discriminou e repudiou os outros.
Mario PERNIOLA, Del sentire,Torino, Einaudi,1991 (tr. port. Do sentir, Lisboa, Editorial Presença, 1993)

«Através da epiderme, reaprendes o sentir.
O que venho propor é um caderno diario de impressões e pensamentos em formato de reflexão e discussão. Nele será registada o meu pensamento. Será uma plataforma de liberdade sensivel, por onde será reclamada a vontade de nos fazermos ouvir. Sem intenção de camuflar o erros e duvidas. Será um trabalho sobre os outros através de mim, tanto como mera observadora, como ser pensante e ser sensivel.
Será sobre o sentir, e não sobre o sentido, o já passado.
Lanço a primeira ideia, a primeira pergunta, através de um desenho que fiz em graxa, cera do chão e chá. É a primeira epiderme que apresento, não sei que questões levantará, mas será o início da discussão e da reflexão, o primeiro sentir do diário.»

BIOGRAFIA
N. Porto 1976. Reside e trabalha em Lisboa e Porto. Licenciatura do curso Bi-etápico de Artes Plásticas na ESAD, Caldas da Rainha. Pós- Graduação em Teorias da Arte, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Exposições individuais: 2009 – transferências, Giefarte, Lisboa. 2007 – Negro, Agência Vera Cortês, Lisboa. Sobre Barroco, Casa Velázquez, Madrid. 2006 – Desenhos, Giefarte, Lisboa. Performance Pintada, Vera Cortês, Agencia de Arte, Lisboa. 2005 – Paisagem do sentir, Politécnica 38, Lisboa. 2004 – Fatos, performance, Galeria Municipal da Mitra, Lisboa; Picotados, Giefarte,Lisboa; Pó, Bartolomeu 5, Lisboa; Linha, In Transit, Artes em Partes, Porto. Exposições colectivas: 2009 – À Crise, Salão de Desenho, Galeria Sopro, Lisboa. 2008 – Land_scape, Pavilhão 28, Hospital Julio de Matos, Lisboa; Up Coming, Edifício da Avenida, Lisboa; Muyethlek, Triangle Art, Maputo, Moçambique. 2007 – Artistas de la Casa Velázquez 2007, Casa Velázquez, Madrid. 2006 – Feira de Arte, Vera Cortês, Agência de Arte, Fil, Lisboa. 2005 – Feira de Arte, Vera Cortês, Agência de Arte, FIL, Lisboa ( cat.). Abertura do novo espaço, Vera Cortês, Agência de Arte, Lisboa; J‟ en rêve, Fondation Cartier pour l‟art Contemporain, Paris (cat.); Hugo Canoilas e Martinha Maia, arte>comtempo, Lisboa. 2004 – Encontros da Imagem 2004, Braga (cat.) O um e os outros, Casa das Artes, Tavira; 30 artists under 40, Stenersen Museum, Oslo (cat.). 2002 – II Bienal de pintura Arte Jovem, Penafiel. Quarto com vista para quarto, varanda com vista para varanda, projecção de video, Lisboa. Quinze pintores, Palácio Marim Olhão, Lisboa. 2001 – Um passo na Floresta, Antigos Pavilhões HVC, Gare do oriente, Lisboa (video cat.). 2000 – I Bienal de Pintura de Arte Jovem, Penafiel ( cat.). Mostra de Finalistas do Curso Artes Plásticas da Estgad, ESTGAD, Caldas da Rainha. Hugo Canoilas e Martinha Maia, Galeria 30 Dias, Caldas da Rainha (cat). I congresso do Instituto Politécnico de Leiria, Leiria. Prémios: 2002 Menção Honrosa, II Bienal de Pintura Arte Jovem, Penafiel (cat.) 2000 Menção Honrosa, I Bienal de Pintura Arte Jovem, Penafiel (cat.) Colecções Fundação Portugal Telecom, Fundação PLMJ. Bolsas: Fundação Calouste Gulbenkian, Bolsa Residência Artística na Casa Velázquez, Madrid.

Marta Wengorovius

 

 

Marta Wengorovius explora uma série de desenhos-gravura que, segunda a artista, são ‘um quase monocromo escuro, que poderá sugerir a obscuridade nocturna (…).’ Estes desenhos são realizados a partir de variações cromáticas quase imperceptíveis, e acompanhados, cada qual, de um texto-instrução propondo ao observador ‘uma relação particular com a obra, consigo mesmo ou com o mundo’. Também estes textos se constituem a partir de variações subtis entre cada instrução, múltiplas na sua abertura ao infinito de possibilidades, singulares, no modo como propõem ao observador uma pequena variação para um novo posicionamento de relação com a obra, consigo e com o mundo.
Como um todo, a série constitui-se num conjunto de quase imperceptíveis nuances cromáticas e textuais que se abrem a um tempo e a um espaço de uma multiplicidade de possíveis relações cuja experiência de co-existência, só pode, no entanto, ter lugar de desenho para desenho, de modo singular.

«Tenho trabalhado em obras tanto a nível do desenho como da performance, o que implica acções que muitas vezes têm instruções.
Em muitas destas obras-acções, e no seu carácter a um tempo individual e comunitário, encontramos a experiência do ritual e da festa: uma partilha do tempo e do espaço, criadores de comunidade. E, por outro lado, uma reflexão sobre o lugar da obra de arte: numa desejada experiência de charneira, uma fronteira que se nega e atravessa, entre a rua e o museu, o quotidiano e a instituição legitimadora.»

Biografia
Marta Wengorovius (Lisboa, 1963), formou-se na Faculdade de Belas Artes de Lisboa (1988), estudou e leccionou no Ar.Co, foi Academic Observer em Goldsmith College, Londres (1993). É Mestre em Artes Visuais pela Universidade de Évora e professora de Desenho e Estética na Universidade Lusófona. Frequenta o doutoramento em Arte Contemporanea no Colégio das Artes Universidade de Coimbra.
Expõe individualmente, em Portugal e no estrangeiro, desde 1989 [Galeria Módulo; Galeria Valentim de Carvalho; Galeria Pedro Cera; Culturgest, Lisboa; Museu de História Natural, Sala do Veado; Fundação Oriente, Macau; C.C.Emérico Nunes, Sines; Instituto Camões, Paris; Galeria Caroline Pagés; Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris. (cat), Galeria Alecrim 50. Entre as múltiplas exposições colectivas em que participou, é de salientar “Green Spaces”, intervenção plástica integrada na natureza, em colaboração com o artista João Vilhena, Estufa Fria, Lisboa. (cat) e “Une perspective portugaise de l‟art contemporain” na Maison de l‟UNESCO em 2000, “Aqui menos que nada”, Galeria Alecrim 50, Lisboa, 2008 (cat), Ensaio sobre o sol, Galeria Carlos Carvalho, Lisboa]; Objectos de Errância MNAC – Museu do Chiado.
A sua obra está representada nas seguintes colecções: Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Colecção Berardo, Fundação Luso-Americana, Caixa Geral de Depósitos, Banco do Comércio e da Indústria, Ministério da Administração Interna, Fundação Ilídio Pinho, Fundação Portugal Telecom, Banco de Portugal, Unicre e Cimpor assim como em numerosas colecções privadas. Em 1994, recebeu o Prémio União Latina.