Martinha Maia propõe um conjunto de desenhos a que chama ‘caderno de impressões’, que talvez se possam dizer intimistas pois abrem um espaço de ‘liberdade sensível’ onde se investiga o sentir e o ouvir, de desenho para desenho, pela artista, mas também por quem os experencia enquanto observador. Em cada desenho e na multiplicidade da ‘série de impressões’, este trabalho expõe um conjunto de possíveis variações ínfimas, íntimas mas distintas que se criam a partir de um posicionamento consciente e intencional da artista, que é assumido logo de início numa co-existência com qualquer observador que na sua singularidade é convidado a experienciar cada desenho, sentindo-o e o escutando-o.

O sentir adquiriu uma dimensão anónima, impessoal, socializada que exige ser reclamada… É verdade que também nos podemos rebelar contra esta condição e reinvindicar o direito a um sentir interior, singular, subjectivo, privado, mas em relação a tais pretensões a nossa época tem sido cruel; ela reconhece os seus, acumulando-os de favores, mas discriminou e repudiou os outros.
Mario PERNIOLA, Del sentire,Torino, Einaudi,1991 (tr. port. Do sentir, Lisboa, Editorial Presença, 1993)
«Através da epiderme, reaprendes o sentir.
O que venho propor é um caderno diario de impressões e pensamentos em formato de reflexão e discussão. Nele será registada o meu pensamento. Será uma plataforma de liberdade sensivel, por onde será reclamada a vontade de nos fazermos ouvir. Sem intenção de camuflar o erros e duvidas. Será um trabalho sobre os outros através de mim, tanto como mera observadora, como ser pensante e ser sensivel.
Será sobre o sentir, e não sobre o sentido, o já passado.
Lanço a primeira ideia, a primeira pergunta, através de um desenho que fiz em graxa, cera do chão e chá. É a primeira epiderme que apresento, não sei que questões levantará, mas será o início da discussão e da reflexão, o primeiro sentir do diário.»

BIOGRAFIA
N. Porto 1976. Reside e trabalha em Lisboa e Porto. Licenciatura do curso Bi-etápico de Artes Plásticas na ESAD, Caldas da Rainha. Pós- Graduação em Teorias da Arte, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Exposições individuais: 2009 – transferências, Giefarte, Lisboa. 2007 – Negro, Agência Vera Cortês, Lisboa. Sobre Barroco, Casa Velázquez, Madrid. 2006 – Desenhos, Giefarte, Lisboa. Performance Pintada, Vera Cortês, Agencia de Arte, Lisboa. 2005 – Paisagem do sentir, Politécnica 38, Lisboa. 2004 – Fatos, performance, Galeria Municipal da Mitra, Lisboa; Picotados, Giefarte,Lisboa; Pó, Bartolomeu 5, Lisboa; Linha, In Transit, Artes em Partes, Porto. Exposições colectivas: 2009 – À Crise, Salão de Desenho, Galeria Sopro, Lisboa. 2008 – Land_scape, Pavilhão 28, Hospital Julio de Matos, Lisboa; Up Coming, Edifício da Avenida, Lisboa; Muyethlek, Triangle Art, Maputo, Moçambique. 2007 – Artistas de la Casa Velázquez 2007, Casa Velázquez, Madrid. 2006 – Feira de Arte, Vera Cortês, Agência de Arte, Fil, Lisboa. 2005 – Feira de Arte, Vera Cortês, Agência de Arte, FIL, Lisboa ( cat.). Abertura do novo espaço, Vera Cortês, Agência de Arte, Lisboa; J‟ en rêve, Fondation Cartier pour l‟art Contemporain, Paris (cat.); Hugo Canoilas e Martinha Maia, arte>comtempo, Lisboa. 2004 – Encontros da Imagem 2004, Braga (cat.) O um e os outros, Casa das Artes, Tavira; 30 artists under 40, Stenersen Museum, Oslo (cat.). 2002 – II Bienal de pintura Arte Jovem, Penafiel. Quarto com vista para quarto, varanda com vista para varanda, projecção de video, Lisboa. Quinze pintores, Palácio Marim Olhão, Lisboa. 2001 – Um passo na Floresta, Antigos Pavilhões HVC, Gare do oriente, Lisboa (video cat.). 2000 – I Bienal de Pintura de Arte Jovem, Penafiel ( cat.). Mostra de Finalistas do Curso Artes Plásticas da Estgad, ESTGAD, Caldas da Rainha. Hugo Canoilas e Martinha Maia, Galeria 30 Dias, Caldas da Rainha (cat). I congresso do Instituto Politécnico de Leiria, Leiria. Prémios: 2002 Menção Honrosa, II Bienal de Pintura Arte Jovem, Penafiel (cat.) 2000 Menção Honrosa, I Bienal de Pintura Arte Jovem, Penafiel (cat.) Colecções Fundação Portugal Telecom, Fundação PLMJ. Bolsas: Fundação Calouste Gulbenkian, Bolsa Residência Artística na Casa Velázquez, Madrid.