Histórico

A Número – Arte e Cultura, criada em 1997, é uma associação que tem como objectivo realizar actividades orientadas para a criação, fomento, investigação e difusão da arte e da cultura contemporâneas. E, dentro do seu extenso currículo, contam-se a edição de revistas e livros e a organização de vários eventos, nomeadamente o Número Festival – Festival Internacional de Artes Multimédia, Cinema e Música de Lisboa e o Festival Português – Festival Internacional de Artes e Cultura Portuguesa.
INTERFERÊNCIAS faz parte, por isso, de uma evolução natural consentânea com o histórico da Associação. Esta iniciativa foi concebida para se constituir desde o início como a base para programação regular de itinerâncias, ao serviço da promoção da arte contemporânea nas suas mais distintas vertentes e destinado às mais diversas populações. O projecto contempla Programação, Produção, Residência Artística, Difusão e Serviço Educativo.

 

Realizado em Lisboa entre 3 de Novembro e 19 de Dezembro de 2010, o INTERFERÊNCIAS envolveu, nesse ano de estreia, interfaces de transportes públicos e estações de Metro, assim como mupis, outdoors, circuitos internos de televisão e outros locais imprevistos da capital.

A principal ambição desta iniciativa é levar ao grande público manifestações de carácter cultural contemporâneo, através de uma profusa disseminação pública dos mais diversos objectos artísticos, apropriando-se para o efeito de espaços públicos/“não lugares” e meios associados à comunicação de massas. Visto dessa perspectiva, o facto de termos lançado as bases desta mostra – que se quer de carácter regular – num ano particularmente difícil é uma ousadia que cumpre registar. Além do mais, acreditamos ser esta uma fórmula que garante a máxima rentabilidade com o menor dispêndio de recursos, capitalizando deste modo cada investimento realizado.

INTERFERÊNCIAS foi singular como espaço de criação tal como o foi enquanto espaço de divulgação. Ou seja, estamos a falar de um evento cuja totalidade das obras programadas/divulgadas foi produzida e realizada exclusivamente para os seus fins. O que implicou, nessa edição de 2010, mais de uma centena de obras (20 objectos vídeo; 36 desenhos; 10 pranchas c/ ilustrações; 50 fotografias).

Sublinhamos que INTERFERÊNCIAS faz por combinar objectos artísticos com suportes de exibição comummente estranhos ao meio. Foi esse, aliás, o factor mais preponderante que justificou o forte empenhamento com que comissários e artistas convidados aderiram tão entusiasticamente ao desafio por nós proposto.

Uma das maiores ambições do INTERFERÊNCIAS é constituir-se como uma plataforma de criação. Todas as obras artísticas que exibe na sua programação são ou propositadamente concebidas para o efeito, ou totalmente adaptadas em função dos especiais condicionalismos a que obrigam os meios usados por esta Mostra Pública de Arte. A realização de residências artísticas é, por isso, uma das vias mais desejadas e certamente mais enriquecedoras para que os artistas convidados a participar na programação possam desenvolver e adequar os seus próprios projectos artísticos ao programa comissariado, ao mesmo tempo que possibilita o intercâmbio pessoal de experiências e conhecimentos.

Como último destaque, sublinha-se o resultado amplamente conseguido pelo conjunto do material gráfico. Este aspecto foi encarado desde o início como sendo particularmente sensível. Nomeadamente, face ao triplo carácter intrusivo, multifacetado e disseminado da programação do INTERFERÊNCIAS. Para além da identidade conseguida pela linha gráfica (da autoria de Luís Alegre / Ideias com Peso), atingimos estes objectivos ao conceber como suportes de programação os próprios “vulgares” materiais promocionais, i.e., cartazes e postais.

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